O Governo do Distrito Federal abandonou o projeto de incluir a Serrinha do Paranoá entre os bens destinados ao fortalecimento patrimonial do Banco de Brasília. A região de 716 hectares passará a integrar um novo Parque de Preservação Ambiental, encerrando discussões que envolveram órgãos fiscalizadores e grupos ambientalistas. A vice-governadora Celina Leão anunciou a reversão durante atividade oficial realizada nesta quarta-feira (1º). O território da Serrinha do Paranoá concentra mais de 100 nascentes que contribuem diretamente para o abastecimento do Lago Paranoá. Dados da pasta de Meio Ambiente indicam que a área representa cerca de 15% do aporte hídrico do principal reservatório da capital. ## Mudança de estratégia para o BRB O plano original estabelecia a transferência do imóvel como parte do programa de capitalização do banco público. O BRB necessitava de reforço patrimonial da ordem de R$ 500 milhões para atender determinações do Banco Central relacionadas aos índices de Basileia. "A preservação da Serrinha do Paranoá é fundamental para garantir a segurança hídrica do DF. Decidimos pela criação do parque para proteger esse patrimônio natural", afirmou Celina Leão durante cerimônia no Recanto das Emas. A decisão surge após meses de questionamentos por parte de instituições de controle. O Tribunal de Contas do Distrito Federal havia levantado dúvidas sobre os métodos de avaliação dos terrenos públicos selecionados para a operação. O Ministério Público do DF também expressou preocupações quanto aos possíveis danos ambientais. ## Importância estratégica das nascentes Para especialistas em gestão hídrica, a mudança de rumo representa uma escolha tecnicamente fundamentada. "A Serrinha do Paranoá atua como reguladora natural do sistema hídrico local. Sua conservação é vital para a sustentabilidade dos recursos de Brasília", destaca o hidrólogo Roberto Santos, professor da Universidade de Brasília. Organizações ambientalistas receberam positivamente o recuo governamental. O Observatório DF, grupo que acompanha decisões do poder público, monitorou o processo desde as primeiras discussões. "A participação social mostrou sua força na reversão de políticas controversas", observa a instituição. ## Busca por alternativas patrimoniais Com a exclusão da Serrinha do Paranoá, o governo deverá identificar outros bens para viabilizar a capitalização do BRB. A relação atual contempla propriedades em zonas de menor relevância ambiental, incluindo glebas no Setor de Indústria e Abastecimento e adjacências da Estrutural. O presidente do banco, Paulo Henrique Costa, garantiu que a instituição buscará soluções alternativas sem prejuízo ao calendário de recuperação financeira. Quais imóveis poderão compensar a retirada da Serrinha do Paranoá? A definição deve ocorrer nas próximas semanas, quando uma nova lista será submetida ao TCDF. ## Tramitação da proposta de parque A efetivação do Parque de Preservação Ambiental na Serrinha do Paranoá ainda requer aprovação legislativa e estudos técnicos complementares. Especialistas projetam que a criação da unidade de conservação demandará de 8 a 12 meses, considerando os procedimentos legais e avaliações ambientais obrigatórias. A decisão do GDF de transformar a Serrinha do Paranoá em área protegida reflete uma mudança de prioridades na gestão de recursos naturais do DF. O impacto real da medida será mensurado pelos indicadores trimestrais de qualidade da água do Lago Paranoá, monitorados pela Caesb, que permitirão avaliar se a preservação das nascentes se traduzirá em melhorias concretas para o abastecimento hídrico da capital.